Um dos maiores desafios de quem é dono de farmácia é responder à pergunta: “Quanto eu posso tirar de dinheiro da loja por mês?”. É muito comum vermos empresários que não têm um salário fixo e pagam boletos pessoais (escola dos filhos, aluguel, fatura do cartão) diretamente com o dinheiro do caixa da farmácia.
Essa mistura entre o CPF e o CNPJ é perigosa. Ela impede que você saiba se a sua farmácia é realmente lucrativa ou se você está apenas “consumindo” o capital de giro para manter seu padrão de vida. Para ter uma farmácia saudável e perene, você precisa de uma regra de retirada clara.
O pró-labore é a remuneração pelo seu trabalho na operação da farmácia. Se você trabalha no balcão, faz as compras ou gere a equipe, você é um funcionário de luxo da sua própria empresa.
Como definir: O valor deve ser justo, baseado no que o mercado pagaria para um gerente de farmácia com a sua carga horária.
Impacto Fiscal: Sobre o pró-labore incidem INSS e Imposto de Renda. Por isso, estrategicamente, ele costuma ser fixado em um valor menor, apenas para garantir a sua contribuição previdenciária e custos básicos.
A distribuição de lucros é o valor que você retira por ser o sócio, o investidor que colocou capital e corre o risco do negócio.
Vantagem Fiscal: Atualmente, no Brasil, a distribuição de lucros é isenta de Imposto de Renda para quem recebe (desde que a empresa tenha lucro contábil comprovado).
A Regra: Ela só deve acontecer se a farmácia estiver com todas as obrigações em dia e se houver lucro real após o pagamento de todas as despesas e impostos.
Para não quebrar o caixa, o faturamento da sua farmácia (após pagar fornecedores e despesas fixas) deve ser dividido de forma inteligente:
Reserva de Emergência: Antes de qualquer retirada extra, a empresa precisa de uma reserva que cubra de 3 a 6 meses de custos fixos. Isso é o que te dará sono tranquilo em meses de baixa.
Reinvestimento: Uma farmácia que não investe em novo layout, tecnologia ou mix de estoque fica para trás. Reserve uma porcentagem fixa (ex: 20% do lucro) para reinvestir no negócio.
Pró-labore: O seu valor fixo mensal, pago rigorosamente no mesmo dia que o salário dos funcionários.
Dividendos (Lucros): O que sobrar após a reserva e o reinvestimento pode ser distribuído.
O ideal é que a distribuição de lucros não seja mensal. O recomendado é que ela seja trimestral ou semestral.
Por que? Porque o varejo farmacêutico tem sazonalidade. Um mês excelente pode ser seguido por um mês de muitas compras de estoque. Ao retirar o lucro a cada seis meses, você garante que a empresa tenha fôlego para atravessar oscilações de mercado sem precisar de empréstimos bancários.
Você só pode distribuir lucros de forma isenta se a sua contabilidade estiver impecável. Sem um Balanço Patrimonial assinado e uma Demonstração de Resultados (DRE) que comprove o lucro, qualquer retirada acima do pró-labore pode ser tributada pelo fisco como salário, gerando multas pesadas.
Definir a sua retirada não é sobre o quanto você “quer” ganhar, mas sobre o quanto a sua farmácia “pode” pagar sem comprometer a reposição de estoque e o crescimento. Ter essa disciplina transforma você de um “dono de farmácia” em um gestor de patrimônio.
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